Seminário discute o panorama da força de trabalho no SUS
21 de junho de 2011 - 16:01
Durante a manhã foi apresentado o Painel ‘Situação Atual da Força de Trabalho em Saúde do Ceará’, coordenado pela técnica do Núcleo de Valorização, Negociação e Educação no Trabalho da Coordenadoria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (CGETS/SESA) Fernanda Martins. O Coordenador do Observatório dos Recursos Humanos em Saúde no Ceará, João Bosco, apresentou as pesquisas com dados cearenses que hoje compõem essa rede de informações com base em vários estados brasileiros. O material pode ser acessado na página do ObservaRH (www.observarh.org.br).
Em seguida, o presidente do Conselho das Secretarias Municipais de Saúde, Wilames Freire, expôs sobre as necessidades sentidas pelos gestores municipais de saúde no que se refere ao preenchimento das vagas da rede de assistência. “Uma pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde há poucos dias revelou que 75% das Unidades de Saúde da Família estão fora do padrão recomendado pelo Ministério e pela pela Anvisa, o que dificulta a permanência dos profissionais”. Mas a falta de recursos humanos também é problema sério, na visão do presidente. “Sabemos que há salários exorbitantes ofertados em algumas secretarias, e mesmo assim as vagas não são preenchidas, especialmente por médicos, ou são por pouco tempo. Então o SUS precisa de mais profissionais em ação”.
O coordenador das Unidades de Saúde da SESA, Régis Sá, apresentou um panorama da quantidade de vagas existentes hoje no Estado, geradas principalmente pela expansão da rede de atenção especializada, com as Policlínicas, CEOs e Hospital Regional do Cariri, e citou a necessidade de planejamento para as novas unidades a serem inauguradas até o final da gestão do governador Cid Gomes. “Nós precisamos de médicos especialistas. Só para as Policlínicas são 494 vagas, e apenas duas estão em pleno funcionamento. No Hospital do Cariri temos 176 médicos contratados e ainda não inauguramos o setor de Urgência e Emergência, que vai demandar outro quantitativo destes profissionais. Por isso é fundamental pensar a longo prazo e tomar decisões como a criação de 97 novas vagas de Residência Médica para os próximos meses”.
Para a coordenadora da CGETS, Lúcia Arruda, o trabalho que precisa ser realizado hoje é de enfrentamento de uma realidade que não condiz com as necessidades do Sistema Único de Saúde, o que impõe um debate saudável entre diversos sujeitos que formam e empregam profissionais de saúde. “O SUS vai enfrentar os vazios que existem a partir das sinalizações que nós dispomos. O próprio não preenchimento de todas as vagas das seleções públicas recentes é um indicativo das áreas onde precisamos investir. O que não podemos tirar de foco é a certeza de que é o SUS que precisa gerenciar essa força de trabalho, e não as sociedades e corporações”.
Iniciando os debates da tarde, a superintendente da ESP-CE, Ivana Barreto, apresentou a oferta de vagas na graduação, comparando as instituições públicas e privadas. “Não podemos dizer que há uma má distribuição de profissionais especialistas. O que há é uma completa absorção dos profissionais existentes, com as especializações hoje disponíveis, nos grandes hospitais. Não há médicos desempregados e há os vazios que precisamos preencher com um planejamento guiado pela equidade”. A superintendente lembrou ainda que embora os profissionais especialistas ocupem grande parte dos debates, não se deve esquecer a enorme demanda de trabalhadores de nível técnico hoje requisitada pelo SUS. “A ESP-CE vem investindo fortemente nisso porque está dialogando com os Municípios e percebendo essa carência”.
Amanhã os participantes vão se dividir em grupos de trabalho, com o objetivo de construir mecanismos de monitoramento dessa força de trabalho, que sejam permanentes e que envolvam todas as instituições diretamente relacionadas à gestão e à educação na Saúde. O Seminário está sendo realizado em parceria com o Ministério da Saúde, a Organização Pan Americana de Saúde e a Fundação Oswaldo Cruz.
Assessoria de Comunicação e Marketing da ESP-CE