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Governo e indústria constroem agenda para melhoria da qualidade dos alimentos

29 de julho de 2008 - 18:32

 

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, instalou, nesta terça-feira (22), um fórum de debates com representantes do governo e da indústria de alimentos para definição de alternativas para a redução dos teores de gordura trans, sal e açúcar dos alimentos industrializados. Segundo pesquisa do Ministério da Saúde, até 260 mil mortes poderiam ser evitadas todos os anos com uma alimentação adequada da população.

No encontro, o ministro defendeu a construção de uma agenda de pautas com temas que preocupam o governo e a indústria para a construção de pontos de consenso. “O fórum é um espaço democrático e transparente que avança na discussão de questões que preocupam a sociedade brasileira”, afirmou o ministro. “Precisamos avançar também na busca de consensos e alternativas que tenham sustentabilidade e possam ser pactuados em comum acordo, sempre sob a ótica da saúde pública”, acrescentouTemporão.

Para a elaboração de novas medidas de promoção da alimentação saudável no Brasil, o governo também se baseará em experiências internacionais bem sucedidas, como a do Canadá. Segundo o ministro, naquele país, relevantes mudanças na composição dos alimentos foram promovidas no decorrer de três anos.

“O que nós queremos é que os alimentos oferecidos à população brasileira sejam de qualidade e que não coloquem em risco a saúde de ninguém. Mas, para isso, é preciso pactuar com a indústria como isso será possível”, disse Temporão. Existem questões técnicas, mercadológicas e prazos que têm que ser discutidos. “Em nenhum país do mundo se fez essa transição do dia para outro. Mas nós precisamos avançar e sair da inércia”, acrescentou o ministro.

Para o presidente da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia), Edmund Klotz, o objetivo principal do fórum é encontrar alternativas viáveis para a substituição e conseqüente redução de alimentos prejudiciais à saúde. “A Abia já pactuou com a Organização Pan-Americana da Saúde que, o mais rapidamente possível, iremos eliminar a gordura trans dos nossos produtos por outros ingredientes. Por outro lado, não podemos deixar de produzir (esses alimentos) de uma hora para outra. Temos que procurar as alternativas para não deixarmos faltar produtos“, destacou Klotz.

AÇÕES – A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já iniciou a avaliação do perfil nutricional de 23 tipos de alimentos industrializados, como embutidos, laticínios, salgadinhos prontos, biscoitos, bebidas, farinhas e refeições prontas. O Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS) ficou encarregado de analisar 40 amostras de cada alimento selecionado para saber qual a quantidade de açúcar, gorduras saturadas e trans, sódio, ácido fólico e ferro.

O encontro é um desdobramento do acordo de cooperação assinado entre o Ministério da Saúde e a Abia (Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação), em novembro de 2007. Paralelamente ao trabalho do grupo técnico, a entidade e seus associados se comprometeram a colaborar em ações de saúde pública, como na campanha de rubéola, que acontecerá entre 9 de agosto e 12 de setembro.

OBESIDADE
— Um dos reflexos do alto teor de açúcar, sal e gordura nos alimentos é o sobrepeso, já encarado em todo o mundo como epidemia, e que atinge cerca de 40% da população brasileira, segundo o IBGE. Além disso, sofrem de obesidade 12,7% dos brasileiros. De acordo com dados da PNDS (Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde), divulgada pelo Ministério da Saúde no início do mês, 6,6% das crianças com menos de cinco anos têm excesso de peso. A obesidade em todas as idades desencadeia uma série de doenças que está entre as que mais matam no Brasil como problemas no coração, diabetes, câncer de intestino, artrite, além de atacar outros órgãos como pulmão e vesícula. Estudo do Ministério da Saúde aponta que entre 212 mil a 260 mil mortes poderiam ser evitadas com uma alimentação adequada.

REFEIÇÕES PRONTAS — A participação dos alimentos industrializados na contribuição da alimentação do brasileiro aumentou 82% entre 1974 e 2003 (POF/IBGE), indicando uma importante mudança no comportamento alimentar da população. Os alimentos processados, em geral, possuem teores elevados de gorduras, açúcares e sal.

AÇÚCAR — Nos produtos industrializados, o açúcar é utilizado para tornar a gordura mais saborosa e é adicionado a muitos alimentos e bebidas na forma concentrada de xarope. Uma alimentação com alto teor de açúcar simples (sacarose), além de estar associada ao excesso de peso e obesidade, é também a principal causa das cáries dentárias entre crianças, especialmente as bebidas doces e guloseimas de consistência pastosa.

Os dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares 2002-2003 (POF) mostram que aqueles que têm rendimentos entre 0,25 e 2 salários míniomos per capita superam em 50% o consumo recomendado de açúcares. Esse percentual pode ser ainda maior, uma vez que não computa o consumo fora de casa.

GORDURAS — As gorduras são de diferentes tipos e podem ser mais ou menos prejudiciais à saúde. A gordura vegetal hidrogenada – também chamada gordura trans – deve ser evitada, pois é prejudicial à saúde e está presente em muitos dos alimentos processados.

O consumo excessivo de alimentos com alto teor de gordura está associado ao crescimento e ao risco de incidência de várias doenças, como as cardíacas. Esse risco é maior em populações sedentárias. Em 2003, segundo o IBGE, o consumo de gorduras totais pela população extrapolou o recomendado em 30,5%.

SAL — O consumo excessivo de sal (maior que 6g diárias ou 2,4 g de sódio) é uma causa importante da hipertensão arterial. Estima-se que essa doença atinja cerca de 20% da população adulta brasileira. Dados da POF 2002-2003 indicam que a média estimada de consumo é de 9,6 g/ pessoa/dia, o que não considera o sal consumido fora do domicílio. Com base nessas informações, estima-se que o consumo médio de sal pela população brasileira deve ser reduzido, pelo menos, à metade para atender ao patamar máximo de consumo recomendado, isto é, 5g de sal/per capita/dia.

Ouça entrevista coletiva do ministro no portal do MS.

Fonte: Ministério da Saúde 29.07.08